quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Texto para duas atrizes

atrizes Amanda Banffy (esq.) e Renata Becker (dir.) em "Andares Acima", dir.: Carol Guedes

ANDARES ACIMA
de Ruy Jobim Neto
(C) Ruy Jobim Neto
Registro na Biblioteca Nacional (RJ) sob n. 461.917 (23/06/2009)
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ver também fotos de André Stéfano em:
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"ANDARES ACIMA" foi apresentada pela primeira vez no Dramamix das Satyrianas 2008, em São Paulo, SP, no dia 24 de outubro, sexta-feira, às 8h00 da manhã, sob direção de Carol Guedes e produção de Ruy Jobim Neto para a Cia. Mestremundo de Histórias, com o seguinte elenco:

Amanda Banffy....................Lucimara
Renata Becker....................Edith
....
personagens:

- Edith
- Lucimara

(algo que lembre um apartamento. Esse ou aquele móvel)

...................

EDITH
VOCÊ AINDA SENTE A MESMA DOR?

LUCIMARA
SINTO.

EDITH
E COMO É?

LUCIMARA
TONIFICANTE. É COMO UMA PÚSTULA, ALGO QUE NÃO SE CONSERTA. VOCÊ PENSA NA COISA E ELA TE CHEGA ABRASIVA, CONTUNDENTE. É DOR PURA, SABE?

EDITH
FAÇO IDÉIA.

LUCIMARA
NÃO, VOCÊ NÃO FAZ.

EDITH
POSSO IMAGINAR.

LUCIMARA
TAMBÉM NÃO. AO MENOS VOCÊ TEM O PEDRO. UMA PEDRA, A ROCHA. AQUELE QUE NÃO SE DETÉM.

EDITH
PORÉM NEGA AO TERCEIRO CANTO DO GALO.

LUCIMARA
NÃO ESSE PEDRO. O HOMEM QUE DORME AO TEU LADO, AQUELE QUE TE COME, QUE TE LAMBUZA DE ESPERMA, É O TEU CONTATO COM A REALIDADE.


EDITH
NÃO FALA MERDA.

LUCIMARA
VOCÊ TAVA NA BOSTA QUANDO ELE TE CONHECEU. E EU TE VI LAMBER O CHÃO, VOMITAR TODO TIPO DE CATARRO QUE NA VERDADE ERA A TUA ÂNSIA DE VIVER, E VOCÊ ERA INCAPAZ DE ENCONTRAR AO MENOS UMA PLACA QUE DISSESSE: “EI, VAI POR AQUI, SUA PUTA!”

EDITH
É ASSIM QUE VOCÊ ME VÊ?

LUCIMARA
(ri) TODAS NÓS SOMOS PUTAS, NO FINAL DAS CONTAS. QUANDO EU TE QUIS, O PEDRO CHEGOU ANTES. E AGORA SOU EU QUE TÔ NA MERDA, NÃO POR TUA CAUSA, CLARO, MAS PELOS MEUS PRÓPRIOS MÉTODOS DE PENSAMENTO. DE TENTAR, DE ALGUMA FORMA, LIDAR COM ESSE MONSTRO QUE RONDA NOSSO TRAVESSEIRO À NOITE, A NOSSA ROUPA DE CAMA QUANDO VOCÊ ESTÁ EXCITADA E NUA EM SUA VASTIDÃO DO SEXO, DA BUCETA, E A TUA MAIS COMPLETA INCAPACIDADE DE PREVER O MINUTO SEGUINTE.

EDITH
POR QUE VOCÊ NÃO VOLTA A ESCREVER?

LUCIMARA
PRA QUE? PRA BLOGAR UM MONTE DE CACARECO NA INTERNET, COISA QUE A NINGUÉM POSSA INTERESSAR? PERDER O MEU TEMPO NADA PRECIOSO PARA QUE SOMENTE EU LEIA AS BOSTAS DECLAMADAS DURANTE O BANHO? NÃO, OBRIGADA.

EDITH
EU GOSTO TANTO QUANDO VOCÊ ESCREVE.

LUCIMARA
ESCUTA. VOU PARAR COM ESSE DISCURSO.

EDITH
QUASE PENSEI QUE VOCE VEIO AQUI PRA ME CRITICAR.

LUCIMARA
NÃO. EU VIM AQUI PRA SER ABRAÇADA. EU QUERIA UMA AÇÃO, SABE? ALGO QUE ME TROUXESSE DE VOLTA, QUE NÃO ME LEMBRASSE DE BULAS, DE CAMINHADAS NOITE ADENTRO, QUE NÃO ME DERROTASSE NOS MEUS CAMPOS DE BATALHA. SACA WATERLOO? JÁ OUVIU FALAR DISSO? NAPOLEÃO SIMPLESMENTE SE FUDEU NESSA BATALHA. AO MENOS PARA ELE, MESMO DEPOIS DE MORTO, O PESSOAL AINDA ABAIXA A CABEÇA.


EDITH
NUNCA OUVI FALAR DISSO. VOCÊ SEMPRE LEU MAIS QUE EU.

LUCIMARA
QUANDO MEU PAI SE FOI, SE MANDOU, EU E MINHA MÃE FICAMOS COM UM MONTE DE LIVROS. UM MONTE DE ENCICLOPÉDIAS QUE ELE VENDIA DE PORTA EM PORTA. ELE DEIXOU TUDO, AS ENCICLOPÉDIAS E NÓS DUAS. AÍ, PRA TENTAR ENTENDER A MERDA TODA, EU COMECEI A LER. FEITO LOUCA. ATÉ O DIA EM QUE EU COMECEI A DAR. E DEI FEITO LOUCA. DESDE OS DOZE ANOS. MAS LI TUDO O QUE EU PODIA. E DEI TUDO O QUE EU PODIA, TAMBÉM.

EDITH
VOCÊ FALA MERDA ATRÁS DE MERDA. NEM PARECE QUE TEM A IDADE QUE TEM.

LUCIMARA
SÓ O MEU CORPO É JOVEM, É GOSTOSO, GOSTA DE SEXO. AÍ EU DESCOBRI VOCÊ E TUDO FOI PRAS PICAS.

EDITH
O QUE VOCÊ BEBEU?

LUCIMARA
CREDO. MEU BAFO TÁ TÃO RUIM ASSIM?

EDITH
LU, DAQUI A POUCO O PEDRO CHEGA.

LUCIMARA
AH, SIM. CLARO, O HOMEM DA FAMÍLIA, O CHEFE DA CASA.

EDITH
NÃO FALA ASSIM.

LUCIMARA
EDITH, MEUS PÊSAMES.

EDITH
LUCIMARA, A VIDA NÃO É TÃO RUIM ASSIM.

LUCIMARA
DESDE QUE EU TE CONHECI FOI QUE EU COMECEI A SENTIR UMAS COISAS QUE EU NÃO TAVA ENTENDENDO.

EDITH
QUE TIPO DE COISAS?

LUCIMARA
DO PORQUÊ QUE SENDO VOCÊ QUEM É, COM ESSE SEU JEITO DE ENTENDER O PROCESSO DAS COISAS, DE DIZER AS COISAS, COMO É QUE EU FUI ME APAIXONAR. POR ESSE TEU ÓCULOS, ESSE TEU CABELO CAÍDO, ESSA DOR NO TEU OLHAR, EM CADA PALAVRA QUE DIZ. MESMO QUANDO VOCÊ FALA QUE O PEDRO VAI CHEGAR DAQUI A POUCO, HÁ TODA UMA CENTELHA EMBAIXO DISSO, É COMO SE FOSSEM CAMADAS TE ILUSTRANDO DE FEBRES E ARREPIOS, UMA SÉRIE INFINITA DE ESCONDERIJOS, CAVERNAS DE UM HIMALAIA QUE SÓ VOCÊ CONSTRUIU.

EDITH
IMPRESSIONANTE QUE VOCÊ TÁ BÊBADA E AINDA CONSEGUE FALAR ISSO.

LUCIMARA
VOCÊ É LOUCA POR MIM, SABE DISSO E GUARDA TÃO ALUCINADAMENTE AÍ DENTRO ESSA INFORMAÇÃO, DE UMA FORMA TÃO DESESPERADA, COMO SE EU FOSSE UMA CANÇÃO PROIBIDA, DE VERSOS INTRADUZÍVEIS EM QUALQUER LÍNGUA. POR QUE NÃO ADMITE?

EDITH
ADMITIR O QUE?

LUCIMARA
POR QUE EU, ESTANDO BÊBADA, ESTOU SOLTA E LIVRE PRA TE ESBOFETEAR DE PALAVRAS, DE VERSOS SEM O MENOR SENTIDO, DE COISAS BLOGADAS QUE NÃO INTERESSAM A MAIS NINGUÉM E ASSIM EU VOU DERRAMANDO EM TEU LEITO O QUE HÁ DE MAIS CAÓTICO NOS MEUS PENSAMENTOS, O QUE HÁ DE MAIS FLUENTE EM ÁGUAS CRISTALINAS, COISAS A QUE VOCÊ SEQUER SE PREDISPÕE! PORQUE VOCÊ TEM AQUELE QUE TE NEGA NO TERCEIRO CANTO DO GALO. E EU SIMPLESMENTE NÃO SEI MAIS O QUE É ISSO HÁ ALGUM TEMPO.

EDITH
HÁ QUANTO TEMPO VOCÊ TÁ SEM SEXO?

LUCIMARA
NÃO É ISSO. ONTEM MESMO EU TIVE UM CONTATO ÍNTIMO COM ALGUÉM. FIQUEI, BEIJEI, FIZ TODO O RESTO, DEI FEITO LOUCA, ME PERMITI FECHAR OS OLHOS E NÃO ME PERCEBI MAIS. A MENTIRA É TANTA QUE QUANDO VOCÊ FECHA OS OLHOS, A DOR SE INSTALA DE UM JEITO NAS TUAS ENTRANHAS, QUE ALGUÉM TE METENDO ALI, TE ENRABANDO, VOCÊ NEM MÚSICA OUVE MAIS. EM NADA MAIS VOCÊ ACREDITA. NADA MAIS HOUVE. NEM MESMO VOCÊ HOUVE.

EDITH
ENTÃO VOCÊ TRANSOU COM ALGUÉM ONTEM.

LUCIMARA
EU MENTI COM ALGUÉM ONTEM, SE VOCÊ QUER SABER. EU TRANSGREDI COM ALGUÉM ONTEM. E VOU TE DIZER – NÃO FOI LEGAL. (ri) O ESFORÇO VALEU, É COMO SE DIZ EM VÔLEI: “VALEU A INTENÇÃO!”. CADA GOTA DE SUOR QUE EU LIMPAVA COM O LENÇOL, CADA ENFIADA DO PAU DELE DENTRO DE MIM, SABE COMO É QUE SOAVA? ME FAZIA LEMBRAR DAQUELES MOMENTOS EM QUE VOCÊ TÁ SOZINHA DE TUDO, DEITADA NA GRAMA DO PARQUE, OLHANDO PRA NUVEM QUE ROLA MACIA, MAS QUE NÃO TE CHOVE EM CIMA. QUANDO VOCÊ OLHA UMA CRIANÇA NO PARQUE E ELA TÁ POUCO SE FUDENDO PRA VOCÊ. COMO SE VOCÊ ENTRASSE NUMA FESTA, TODOS OS HOMENS FICASSEM TE OLHANDO, LOUCOS PRA TE COMER, ONDE TODO MUNDO DANÇA E VOCÊ CAI NUM SOFÁ, BEBENDO TODAS, QUERENDO BEIJAR O QUE TIVER DO TEU LADO, SÓ POR BEIJAR. “VALEU A INTENÇÃO”, É ASSIM QUE SE DIZ EM VÔLEI.

EDITH
FOLGO EM SABER.

LUCIMARA
FOLGA, É? E VOCÊ, O QUE ME DIZ? SABER QUE É UM OBJETO DE DESEJO E FICA AÍ, LIVRE, LEVE E SOLTA, RINDO PELAS ENTRANHAS, NÃO EXIBINDO UM NACO DA EXPLOSÃO QUE TÁ AÍ POR DENTRO? VOCÊ FINGE SER UM VULCÃO INATIVO, MAS É JUSTAMENTE O CONTRÁRIO. É QUASE UM TSUNAMI, SE ME PERMITE DIZER. AÍ DENTRO VOCÊ TEM O TSUNAMI. O TERREMOTO NAS PLACAS TECTÔNICAS MAIS ANGUSTIANTES DE TEU OCEANO, PRONTO PRA DEVASTAR E FUDER COM TODAS AS PRAIAS QUE ENCONTRAR PELA FRENTE! PENSA QUE EU NÃO SEI?

EDITH
SABE? SABE MESMO?

LUCIMARA
VOCÊ TEM DÚVIDA?

EDITH
POIS EU VOU TE DIZER A AVALANCHE DE MERDA QUE VOCÊ TÁ FALANDO, SÓ PORQUE VOCÊ TÁ AÍ, MERGULHADA NUMA DOR TÃO EGOÍSTA DE UMA JORNALISTAZINHA MAL SUCEDIDA NO MERCADO, DE UMA PUTINHA DE REDAÇÃO QUE SE FUDEU QUANDO FOI DAR JUSTAMENTE PRO EDITOR QUE ERA EVANGÉLICO, DE UMA DESEMPREGADA DE EMOÇÕES BARATAS, DE UMA PATRICINHA DE BOSTA QUE TÁ POR AÍ, LOUCA PRA TER UMA NOITE DE AMOR SÓ PORQUE NÃO TEM MAIS PRA ONDE IR, SÓ PRA NÃO DEITAR A CABEÇA NO TRAVESSEIRO E ACORDAR COM VOCÊ MESMA!

LUCIMARA
NOSSA, COMO VOCÊ ME AMA.

EDITH
LUCIMARA, POR QUE VOCÊ ME QUER?

LUCIMARA
ESSA PERGUNTA É A MAIS DIFÍCIL DE RESPONDER E A MAIS FÁCIL DE RESPONDER.


EDITH
VOCÊ ME QUER PORQUE PRECISA SER UM POUCO DE MIM. MAS NÃO É LEGAL SER EU. NÃO ME COLOQUE NUM PEDESTAL. NUMA REDOMA DE VIDRO, EU NÃO SOU FEITA DE CHUMBO, MUITO PELO CONTRÁRIO. NESSA TUA EXPLOSÃO ATÔMICA A MINHA PELE FICA TODA MANCHADA DE RADIAÇÃO. EU NÃO SOU INSENSÍVEL. NÃO SOU IMPERMEÁVEL.

LUCIMARA
DE QUE MERDA VOCÊ TÁ FALANDO?

EDITH
TODA VEZ QUE EU PENSEI EM VOCÊ, A MERDA TAVA INSTALADA. VIM MORAR ANDARES ACIMA DO TEU APARTAMENTO SÓ PRA TER O CONTROLE DE TEUS PASSOS. DE TE ENCONTRAR ONLINE. ERA COMO SE FOSSE UMA MATERNIDADE, UMA CURADORIA.

LUCIMARA
VOCÊ? CURADORA DE MIM? E O QUE EU ESTOU EXPONDO?

EDITH
HAVIA UMA NECESSIDADE DE COMPARTILHAR UM ESPAÇO CONTIGO, NEM QUE FOSSE ALGUNS METROS ACIMA. NÃO SEI SE VOCÊ ME ENTENDE.

LUCIMARA
NÃO. ME EXPLIQUE.

EDITH
EU TINHA UMA NECESSIDADE DESSA TUA INSÂNIA, DESSA TUA DEVASSIDÃO, DESSA TUA PUTARIA INSTRUMENTALIZADA, UMA PUTARIA DE CARTEIRINHA. UMA OSMOSE.

LUCIMARA
CONTINUE.

EDITH
EU PRESA, VOCÊ SOLTA. EU SOLTA NO MEU CÁRCERE, VOCÊ PRESA EM SI MESMA.

LUCIMARA
TÔ GOSTANDO, FALA MAIS.

EDITH
NÃO ME QUEIXO DE NADA. MAS ME ENCONTRO NA TUA AMPLIDÃO TÃO DIMINUTA, NA TUA ABSORÇÃO TÃO VERDADEIRA POR ESSA DOR, TÃO TRADUZIDA NAS TUAS NOITES. ERA COMO SE EU PRECISASSE DE VOCÊ POR PERTO. PRA TE SANGRAR UM POUQUINHO E BEBER DAQUILO QUE VOCÊ BEBE SOMENTE PARA ME SENTIR UM POUCO VIVA, UM POUCO MORTA, UM POUCO SUICIDA A CADA DIA QUE PASSA.

LUCIMARA
NUNCA TE VI FALAR TÃO BONITO.

EDITH
MANDAR TUDO E TODOS À MERDA, VOCÊ JÁ MANDOU? MANDOU. MANDOU QUE EU SEI. TUA MÃE QUE VOCÊ NÃO LIGA MAIS, TEU IRMÃO QUE VOCÊ DEIXOU PRA LÁ, NEM SABE SE A FILHINHA DELE TEM DOIS OU TRÊS ANOS, NEM LEMBRA O NOME DELA. DEIXOU, SIMPLESMENTE. DEIXOU AS ENCICLOPÉDIAS DE PALAVRAS E VERBETES QUE TE ILUMINAVAM A ALMA E AGORA VOCÊ GUARDA DIANTE DE SI UMA VALISE REPLETA DE PESSOAS COLECIONADAS, UM APÓS OUTRO, GENTE COLECIONADA, DOR COLECIONADA.

(Lucimara beija Edith, do nada, arrebatada)

LUCIMARA
SE VOCÊ ADMITISSE QUE SOU EU QUEM VOCÊ AMA, ESSA TUA ESPERA PELO PEDRO, PELA ROCHA, NÃO VAI PASSAR DE UMA GOTA DE MENTIRA.

(Edith beija Lucimara, apaixonadamente)

LUCIMARA
VOCÊ FALA MELHOR DO QUE BEIJA. MAS BEIJA DIZENDO COISAS QUE DÁ PRA ENTENDER.

EDITH
É MELHOR VOCÊ IR AGORA.

LUCIMARA
SE VOCÊ ADMITISSE...

EDITH
VAI.

LUCIMARA
VOCÊ VAI CONTINUAR PENSANDO EM MIM?

EDITH
NÃO.

LUCIMARA
EU TEUS SONHOS VOCÊ VAI CONTINUAR ESSE BEIJO?

EDITH
NÃO.

LUCIMARA
ESSA TUA MENTIRA É PRA SEMPRE?


EDITH
EU ESPERO ALGUÉM.

LUCIMARA
MAS NÃO ESPERE DE ALGUÉM.

EDITH
VAI.

LUCIMARA
SIM. MESMO QUE EU ESTEJA EMBAIXO DE VOCÊ, ANDARES ABAIXO, COMPLETAMENTE NUA EM MINHA DOR, POSSO ATÉ AVISAR PELA IMPRENSA MUNDIAL QUANDO TIVER UM TSUNAMI. A DECISÃO DE SAIR DA PRAIA OU NÃO SERÁ MINHA. EU TE AMO? SIM. TE QUERO? TAMBÉM. MAS EU VOU ATÉ AÍ, SOMENTE. É MUITA DOR. UMA PÚSTULA, UM OLHAR. UMA NUVEM QUE VAI CHOVER SOBRE MIM? NÃO SEI. AINDA NÃO LI O JORNAL DE AMANHÃ.

(sai. Edith fica a ver navios)

EDITH
LU.

(foco se fecha sobre ela)

EDITH
LU.

(blecaute).

FIM
O texto acima está protegido pelas Leis brasileiras de Direito Autoral. É obrigatório que se solicite permissão para ser montado. Não fazê-lo será passível de ações legais. Para solicitação, falar com os autores pelo e-mail: jobimneto.ruy@gmail.com



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6 comentários:

T. Barros disse...

Encontrei este link no orkt, comunidade de autores de teatro. Também escrevo para teatro, entre outros. Deixarei nos favoritos e comentarei.
Abraço
Tânia B.

Ruy Jobim Neto disse...

Obrigado, Tânia!
eu gostaria de conhecer seus textos!
abraço
Ruy

ana disse...

Oiie Ruy,
sou uma adolecente e estou fazendo um curso chamado yes carrer direct!Eu gostei muito do seu texto! eu quero saber se você pode me dar algumas dicas sobre teatro ? Eu gosto muito de teatro acho super intereçantes se você puder me dar algumas dicas eu te agradeceria !
Obrigada e Beijos

ana disse...

Oiie Tânia,
se você puder me mostrar algum texto seu eu iria gostar muito !!
Obrigada Beijos

ana disse...

AH,Ruy se você puder me mostrar algum texto seu eu iria adorar!

Brunelly Gusmão disse...

Oi Ruy,confesso que gosto muito desse texto, ele é uma grande parte de minha vida, me sinto as vezes como se eu estivesse nele, conheço outros textos seus, até já encenei um outro texto seu, que é Virgens à Deriva, adoro seus textos, são ótimos.